É A negociação mais obscura do futebol brasileiro.
Quanto mais se chega perto, menos compreensível fica.
Ou não.
Os advogados do grupo DIS querem ter acesso aos documentos.
Prometem ir até a Justiça.
Verificar se Neymar foi vendido por R$ 48 milhões.
Como garante a diretoria santista.
Ou por R$ 159 milhões com revelou ao mundo o Barcelona.
Até porque tem direito a 40% do atacante.
A cúpula santista jura que o time catalão exagerou.
Para impressionar acoplou o dinheiro que Neymar recebeu.
Ou seja, 40 milhões de euros ou R$ 111 milhões.
Fora isso o que incomoda são 10 milhões de euros.
R$ 27,7 milhões de euros saíram do Barcelona em 2011.
O balanço do clube registra que o dinheiro saiu em novembro daquele ano.
Em uma coincidência incrível aconteceu.
No dia 9 de novembro de 2011, Luís Álvaro anunciou.
Neymar fechou novo contrato com o Santos.
Ganhou aumento e maior participação na propagandas.
E foi antecipada em um ano a sua liberação.
Em vez de julho de 2015, julho de 2014.
Ao mesmo tempo Santos e Barcelona comemoravam.
O clube brasileiro a permanência do jogador.
O catalão ter dado o sinal, garantido a sua contratação.
Os espanhóis fizeram o proibido pela Fifa.
Agiu de maneira vetada.
Jogadores só podem receber de outros clubes em data certa.
Seis meses antes do final de seu contrato.
Nunca antes.
Tal dinheiro só poderia chegar a Neymar em janeiro de 2014.
A direção do Santos assegura que não foi ela quem recebeu.
O que tornaria uma falsidade a comemoração com a renovação em 2011.
Ninguém irá questionar a legislação esportiva ter sido burlada.
De forma absurda.
O Santos não irá processar o Barcelona por ter dado o dinheiro a Neymar.
Muito menos o jogador reclamará se os milhões foram dados ao clube.
As três partes envolvidas queriam a transação.
A Receita Federal deve saber o destino desse dinheiro.
Mas seja quem for que recebeu o dinheiro há algo que incomoda.
Que correu o risco de ser indecente.
O destino foi irônico.
Colocou frente a frente Santos e Barcelona em dezembro.
Em Yokohama, no Japão.
Recebi inúmeros telefonemas de santistas revoltados.
Até de conselheiros importantes da Vila Belmiro.
Tanto da situação como da oposição.
O questionamento é o óbvio.
"Como Neymar poderia se empenhar contra o Barcelona?
O clube já havia dado dez milhões de euros por ele."
Tive a sorte de fazer a cobertura dessa final no Japão.
Acompanhei toda a preparação santista.
E, lógico, o foco era o duelo Neymar contra Messi.
Já critiquei várias e várias vezes o atacante brasileiro.
Ainda mais na sua fase "Justin Bieber do Suarão".
Deslumbrado demais.
Preocupado com cabelos, caretas, micaretas, farras.
Roupas exageradas.
Declarações vazia, bobas.
Vinte e duas pessoas no seu staff.
E mais Ronaldo.
Mesmo assim era pessimamente orientado.
O melhor jogador do País fazia questão de ser alienado.
A maturidade era cobrada pelo que representava.
Mas a vida ensina.
A paternidade precoce.
Que encarou de forma exemplar.
As vaias, os coros injustos de 'pipoqueiro'.
Foram o trazendo à realidade.
Percebeu.
É um garoto de 21 anos, proibido de agir como um menino.
Sua relevância ao futebol brasileiro não permite.
Critiquei seus excessos.
A maneira que o pai descobriu para não se machucar.
Franzino, diante da pancada evidente do zagueiro, dobra os joelhos.
Simula faltas, pênaltis.
O que é esperteza no Brasil é desonestidade na Europa.
A falta de vontade de entender tática.
De assistir futebol, de se ver em campo.
Só assim poderá crescer ainda mais.
Ser um jogador de equipe.
Ele está aprendendo isso.
No Japão presenciei uma cena muito feia.
Ao lado do repórter Samir Carvalho.
Neymar gritando, tratando mal fãs japoneses.
Ele e Elano queriam passear pela ruas próximas ao hotel.
E o jovem santista se sentiu incomodado pelo assédio.
Ficamos chocados, com a cena que acabou filmada.
Soube depois, que ficou envergonhado.
Foi repreendido pelo pai.
E mudou seu comportamento com os fãs desde o episódio.
Mas o que interessa destacar foi o seu comportamento contra o Barcelona.
O local reservado para a imprensa no estádio de Yokohama foi excelente.
E pude acompanhar não só o show absurdo de Messi e de seus companheiros.
Eles fizeram o que quiseram no 4 a 0 diante do Santos.
Pararam quando poderiam fazer, seis, sete gols.
Não precisava.
Na final mais fácil do Mundial Interclubes, os brasileiros passaram vergonha.
Meu foco ficou em Neymar.
Ele passou a partida toda, desesperado.
Pedia bola, tentava driblar, buscava Ganso para tabelar.
Gritava, reclamava, xingava.
Não fugiu de divididas, deu o seu máximo.
Teve um comportamento exemplar lutando, brigando.
Tudo fica ainda mais elogiável agora.
Quando se sabe que estava comprometido com os catalães.
Conforme foram saindo os gols, ele foi se enervando.
Balançava a cabeça, xingava o ar.
Sentia a impotência diante da superioridade tática e técnica adversária.
O Barcelona vivia seu auge, seu apogeu.
Muricy Ramalho já havia entregue os pontos antes.
Dizia que só colocando 18 jogadores para parar o time de Guardiola.
Ao final da partida, Puyol e Messi procuraram Neymar.
O abraçaram, ficaram satisfeitos pela luta do garoto.
Sabiam que deveriam tê-lo como companheiro no futuro.
E aprovaram a contratação, mesmo depois do massacre.
Guardiola o desejava já para 2012.
E tentou de todas as formas levá-lo para o Bayern agora.
O exigente treinador não iria querer um vendido.
Nesta obscura negociação, Neymar foi digno onde deveria ser.
Dentro do campo, contra seu futuro time.
Deu suor, a alma pelo Santos.
Foi impotente diante da melhor equipe do planeta em 2011.
Não é justo levantar suspeitas sobre seu desempenho.
A cara de choro, de raiva após a partida não foram fingimento.
Neymar queria dar o título ao Santos.
Não conseguiu, mas pelo menos mostrou as catalães sua dignidade.
Seria confortável se poupar, não incomodar os futuros companheiros.
Muito pelo contrário, lutou do início ao final da partida.
Não produziu porque não conseguiu.
Não pipocou ou muito menos se entregou, como dizem revoltados santistas.
Dez milhões de euros saíram dos cofres catalães em novembro de 2011.
Como adiantamento para a compra de Neymar.
Se o dinheiro chegou a ele ou ao Santos só a Receita Federal pode dizer, repito.
Mas essa quantia não comprou a sua dignidade.
Lutou por ele, por Ganso, esse sim omisso, pelo time todo.
Foi goleado, mas ganhou algo importantíssimo.
O respeito dos jogadores do Barcelona, agora seus companheiros.
Por isso tantos elogios a ele.
Se tivesse se entregado, pipocado, a reação seria outra na Catalunha.
Ninguém respeita um vendido.
Neymar não sabotou o Santos na final do Mundial de 2011.
Muito pelo contrário enfrentou sozinho o melhor time do mundo.
Chorou de raiva com a derrota.
Puyol e Messi reconheceram não só seu óbvio talento.
Mas a dignidade do jovem atacante.
Por isso mostram orgulho ao tê-lo como companheiro.
Tive a sorte de ser testemunha.
O torcedor santista pode ter certeza.
E continuar com a dolorida saudade do ídolo.
Os 10 milhões de euros não compraram a honra de Neymar...
Notícia Copiada do R7 Link Original:

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